Astrônomos conseguem medir planeta cinco vezes mais pesado que Júpiter

Astrônomos da Universidade da Califórnia, em Riverside, EUA, conseguiram estudar as medidas de um planeta que tem cinco vezes o peso de Júpiter, após dez anos de sua descoberta.

Apelidado de “GOT ‘EM-1b”, o corpo está a cerca de 1,3 mil anos-luz da Terra, o que os pesquisadores dizem ser “ainda dentro de nossa vizinhança espacial”. A descoberta foi detalhada em documento publicado pelo Astronomical Journal.

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“Esse planeta é algo como um degrau entre os planetas gigantes de nosso próprio sistema solar, que estão bem afastados do sol, e outras gigantes gasosas que estão bem mais próximas de suas respectivas estrelas”, disse Paul Dalba, astrônomo da UCR que liderou a pesquisa.

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Renderização mostra um planeta com massa e tamanho similares a Júpiter, o maior de nosso sistema solar. Imagem: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle

Segundo ele, astrônomos normalmente não conseguem medir o tamanho e a massa de grandes planetas, como Júpiter ou Saturno, mas esse parece não ser o caso aqui.

Dalba explica que, normalmente, planetas muito grandes tendem a ter uma órbita mais irregular, se formando longe das estrelas, mas se aproximando delas com os anos. No caso do “GOT ‘EM-1b” (ou “Kepler-1514b”, como é oficialmente chamado), seus movimentos são estáveis, sem muitas variações.

Descoberta do planeta gigante

Originalmente, foi o telescópio Kepler, da Nasa, que identificou o planeta gigante, em meados de 2010. Entretanto, naquela época, ele havia sido catalogado apenas como um corpo mais avantajado. Na ocasião, o telescópio identificou quedas periódicas no brilho de uma estrela próxima – um indício de que há planetas por perto.

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Com base nessas informações, Dalba & equipe usaram o Observatório W.W. Heck, no Havaí, para determinar o tamanho e densidade do planeta. “O tempo de 218 dias para orbitar uma estrela é uma ordem de magnitude bem mais longa do que muitos exoplanetas que avaliamos”, disse o astrônomo. “O Kepler descobriu milhares de planetas, e somente algumas dúzias traziam órbitas que passassem de uma centena de dias”.

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Telescópio espacial Kepler, que descobriu o “GOT ‘EM-1b” em 2010. Imagem: Nasa/Divulgação

Stephen Kane, outro pesquisador da UCR envolvido no projeto, disse que a descoberta de planetas maiores pode nos ajudar a responder questões pertinentes à normalidade de nosso sistema solar comparado a outros.

Há um consenso na comunidade científica de que Júpiter e Saturno “meio que protegem” a Terra de corpos que, diante da ausência deles, certamente nos atingiriam. Mas devido ao seu tamanho, planetas desse tipo podem perturbar não apenas as órbitas, como o desenvolvimento de outros planetas menores. Há quem diga que Júpiter, por exemplo, deixará até marcas no “cadáver” do Sol, quando este morrer daqui a bilhões de anos.

“Planetas gigantes [que estão] distantes de suas estrelas podem nos ajudar a responder questões muito antigas, sobre como o nosso sistema solar é normal ou não, no que tange à estabilidade e desenvolvimento”, disse Kane.

“Nós não conhecemos muitos planetas que sejam similares a Júpiter ou Saturno – é bem difícil encontrar planetas assim em distâncias muito longas, então isso tudo é muito empolgante”.

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Júpiter, o nosso maior “vizinho”, é um dos planetas gigantes da galáxia. Imagem: Nasa/Divulgação

Missões futuras da Nasa podem se beneficiar deste estudo. O telescópio espacial Nancy Grace Roman, por exemplo, pretende compor a imagem direta de planetas gigantes.

Dalba ainda afirma que, agora, o objetivo é saber se o “GOT ‘EM-1b” é acompanhado de uma Lua, o que seria algo inédito para nós, uma vez que nunca fomos capazes de descobrir um satélite natural do tipo fora de nosso sistema solar.

Fonte: Phys.org